Sandro Meda

Coisa a mais, parafuso a menos

Tem o seu carro em condições? Se sim, pouca dúvida terá em emprestá-lo ao melhor amigo, garantindo estar em condições para uma longa viagem, e mesmo que pouco perceba de mecânica ou eletrónica. Mas se lhe pedirem que jure que todas as porcas das rodas têm o torque certo, que os tubos estão à pressão exata ou que nenhum circuito elétrico tem demasiada corrente; se lhe pedirem que o jure sob honra profissional, ainda que seja mecânico, ou até engenheiro; podendo até ser o diretor de projeto do carro, seria capaz de apostar a reputação sem que cada um dos sistemas seja revisto detalhadamente? Provavelmente não. Muito menos se for um carro que vê de vez em quando. É esta discrepância que, segundo apurámos, está em causa nas novas regras para os atestados médicos. Corremos o risco de passarmos de um certificado de palmada nas costas, para outro de exagero microscópico. E mais preocupante será se, como em tantas outras certificações, inspeções e autorizações, volta a ser uma coisa a mais de alguém com um parafuso a menos; outra para dar aparência séria à troca de euros por uma conveniência obrigatória. Mais racional é o ajuste europeu da moda SUV à sua dimensão. Mostrámos na edição anterior o pequeno Volvo XC40 a lançar no final do ano e que será, apostamos, um sucesso; divulgámos há poucas semanas o anúncio da Seat em descer a gama SUV à dimensão do Ibiza, com o Arona; e acompanhámos esta semana o pré-lançamento dinâmico do Opel Crossland X, que estreia uma base que dará também um Citroën dentro de poucos meses e outro Peugeot para o ano. O segmento dos SUV utilitários (dominado pelo Captur, Juke, CX-3) é o que apresenta o maior crescimento. Compreende-se a atração: com um pouco mais de espaço por dentro e imponência por fora, juntando a democratização da tecnologia sofisticada, os SUV compactos trazem racionalidade ao mercado e poupa-nos às aflições dos que insistem em ter um carro muito maior que as suas capacidades de condução, dando às manobras de estacionamento a complexidade de uma alunagem e arrastando pilares, espelhos e esquinas pelo caminho. Se a carta não pode ser para todos, os carros grandes ainda menos.

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