O que importa mais: a massa ou o recheio? O Chevrolet Aveo, o Hyundai i20 e o Kia Rio têm a resposta para esta questão: uma apelativa relação preço/equipamento. É que, nos dias que correm, todos querem um bom recheio a troco de pouca massa...

Segundo o ditado “todos querem galinha gorda por pouco dinheiro”. Salvaguardando as devidas distâncias, estes três utitlitários provam que a crença popular é aplicável na indústria automóvel. Não é novidade que as propostas coreanas (a Chevrolet é americana, mas o Aveo tem várias costelas sul coreanas) apostam, e sempre apostaram, numa competitiva relação preço/equipamento. O novo Hyundai i20 1.2, o Kia Rio 1.2 e o Chevrolet Aveo... 1.2, não são diferentes, mas os seus argumentos estão longe de se esgotarem no chamado “value for money”.

O i20 1.2 já passou pelo apertado crivo do teste da semana (edição nº 1188) e deu provas de ser um utilitário competente em quase todos os itens analisados. Por isso, nada mais natural do que compará-lo com o “primo” Kia Rio (partilham muitos dos componentes) e com congénere Chevrolet Aveo, duas alternativas muito similares em conceito, com preços aproximados e motores do mesmo género. E porque não optar pelos tão em voga pequenos turbodiesel? A explicação logística é a de que o Hyundai ainda não tem o 1.1 CRDi de 75 cv disponível, mas, para além disso, dada a diferença de preço dificilmente se recupera, em tempo útil, o maior investimento nos motores Diesel e nem o superior valor de retoma destes o colmata na totalidade. Já para não falar que, nas voltinhas em ambiente urbano, é muito mais sereno e cómodo andar num automóvel a gasolina. Até porque, verdade seja dita, qualquer um destes três utilitários é relativamente bem insonorizado.

Galinha gorda
Voltando um pouco atrás, de facto é impossível não ficar impressionado com o nível de equipamento proposto de série nestes três utilitários. Por uma questão de harmonização de preços e fidelidade às unidades ensaiadas, optámos por considerar as versões mais elevadas de equipamento. Há elementos comuns aos três, como o controlo de estabilidade, o ar condicionado (automático no i20), o Bluetooth ou até o sistema de cruise-control, mas o Hyundai justifica o preço mais elevado com itens pouco habituais no segmento, como a câmara traseira de marcha atrás. Esta tentativa de posicionar o Hyundai acima, por exemplo, do Kia também fica patente no habitáculo. O desenho do interior pode não ser o mais elaborado, mas o Hyundai é o único dos três que revestiu toda a zona do tablier com uma película “aborrachada”.

O Aveo, tal como o Kia, opta por plásticos rijos, mas o acabamento cor de tijolo aplicado no tablier do Chevrolet resultou em pleno, dando um ar mais sofisticado ao interior. A instrumentação que combina elementos analógicos e digitais, inspiração que a Chevrolet diz ter ido buscar ao mundo das motos, também contribui para a aura high-tech do Aveo, mas todo o módulo tem um aspecto frágil que não transmite solidez.

Num mercado no qual muitos utilitários são “obrigados” a cumprir funções familiares, itens como o espaço para pessoas e bagagem ganha uma importância acrescida. Na capacidade da bagageira não há grandes diferenças a registar. Os valores rondam os 290 litros, o que os posiciona ligeiramente acima da média do segmento, e todos oferecem a possibilidade de rebater os bancos traseiros numa proporção 40:60.

Já na habitabilidade há algumas diferenças. O i20 é o mais curto dos três, ainda que por uma margem muito pequena. Curiosamente, ou não, este facto reflete-se no espaço em comprimento para as pernas atrás, sendo particularmente evidente se compararmos os valores medidos no i20 e no Rio.

A presença de espaços de arrumação é outro ponto a ter em conta num automóvel que será a nossa companhia diária. Contrariando uma tendência actual, qualquer deles oferece inúmeros locais (abertos ou fechados) para colocar objetos.

Como “gente” grande
Ao volante dos três utilitários um dos aspetos que mais salta à “vista” é a sensação de solidez que transmitem. O Aveo é ligeiramente prejudicado no conforto de rolamento pelas jantes de 17” com pneus de baixo perfil, mas, ainda assim, é de louvar o bom trabalho que a suspensão e o chassis fazem nos pisos degradados. Por outro lado, quando o piso melhora, e a atitude é mais atrevida, o Aveo é o que consegue levar mais velocidade para as curvas. So é pena o 1.2 de 86 cv não ser um pouco mais espevitado. Ainda para mais sabendo que nem sequer é o mais “calado” dos três.

O i20 e o Rio tiram partido das jantes pequenas (15”) e dos pneus de perfil mais elevado (60 no Hyundai e 65 no Kia) para uma melhor prestação no conforto. Além disso, o 1.2 que os equipa é mais refinado e melhor insonorizado. O reverso da medalha está num comportamento menos preciso, até porque as suspensões brandas também não ajudam num melhor controlo dos movimentos da carroçaria. Mas ninguém compra um utilitário destes para ir tirar tempos para a Serra de Sintra...

Até porque, como referimos, nenhum dos três oferece prestações particularmente empolgantes. Uma carateristíca comum é que os 1.2 precisam de ser “puxados” para darem o melhor de si. Só já a roçar as 4000 rpm é que os quatro cilindros multiválvulas parecem ter alguma “alegria” escondida na manga. Este comportamento não afeta a facilidade de condução quotidiana e só acaba por ser mais evidente nas tais raras ocasiões em que o condutor resolve dar largas ao seu espírito “desportivo”.

Nesta faixa de mercado mais importante do que as prestações puras são os consumos. Os valores que medimos são muito similares para os três, com os dois extremos nas médias ponderadas a ficarem separados por apenas 0,4 l/100 km. Ainda assim fica o alerta: dado o caráter maioritariamente citadino destas propostas, o Aveo é mais penalizador nos consumos em cidade.

Para piorar o cenário da marca americana, o Aveo é, dos três, o que oferece o menor período de vigência da garantia, “apenas” três anos. O Hyundai sobe este valor para os cinco anos sem limite de quilómetros, com a oferta adicional da assistência em viagem e de inspeções anuais de rotina durante este período. Mas o recordista nesta área é mesmo o Rio, que tem sete anos de garantia.


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