Depois de guiar o novo 530d, com o seu excelente motor Diesel de seis cilindros em linha, a grande conclusão que fica é muito simples: mais vale um 530d com pouco equipamento do que um 520d com tudo e mais alguma coisa.

Há dois meses, o Teste da Semana do Autohoje teve como protagonista o novo 520d, com o seu motor de quatro cilindros e 190 cv, uma versão que até ganhou o comparativo em que defrontou os seus mais importantes rivais. O preço da unidade ensaiada era de 73 430 euros, incluindo 16 mil euros de opcionais. O 530d de 265 cv que pode ver nestas páginas, tal como está, custa 104 609 euros, mas o preço base é de 74 600 euros, ou seja, conseguindo resistir aos “clicks” no configurador, é possível chegar a um 530d com algum equipamento interessante sem rebentar com o orçamento e, sobretudo, com um motor que nada tem a ver com o de quatro cilindros.

Este novo motor (ver caixa) mantém as cotas internas do anterior, mas tem na subida de binário máximo a sua maior evolução, passando dos 560 Nm para os 620 Nm, se bem que obtidos agora entre as 2000 e as 2500 rpm, enquanto a curva do anterior tinha um “planalto” entre as 1500 e as 3000 rpm. Na prática, o que se nota desde que se liga o motor é a tradicional suavidade do seis cilindros em linha, sem vibrações dignas desse nome, um som que está longe de ser um insulto aos ouvidos e uma disponibilidade ao mais pequeno toque no acelerador, que cresce numa avalanche de força até tocar o “red-line”. A caixa automática ZF de oito relações, aqui na versão desportiva (um opcional de apenas 260€) é suave nas manobras mais retorcidas; rápida, quando se usam as patilhas e sempre obediente. Não há dúvida, é uma experiência de condução muitíssimo mais entusiasmante que a do 520d, tanto em performance pura como em sofisticação do conjunto motriz, sem que os consumos percam demasiado com isso: em cidade, o 530d fez 7,8 l/100 km contra os 7,4 do 520d.

A unidade ensaiada tem muito equipamento opcional na área da conetividade, incluindo os famosos comandos por gestos do monitor central e o impressionante estacionamento remoto a partir do comando à distância. Os bancos Comfort contribuem muito para a excelente posição de condução, com inúmeros ajustes e massagens, o volante está minuciosamente posicionado e o comando rotativo iDrive continua a ser um exemplo de ergonomia, num habitáculo de qualidade igual à dos melhores. Mas na parte dinâmica, o único opcional é o controlo dinâmico do amortecimento, que proporciona excelente conforto em mau piso. Contudo, num andamento mais exigente, a que os 265 cv do motor convidam, esta suspensão acaba por deixar o 530d adornar bastante em curva, ao ponto de a roda interior traseira ter perdas de tração, mesmo no modo Sport+, que mantém o conforto como prioridade. Tendo em conta a precisão da frente e a atitude geralmente neutra do Série 5, nota-se que, para as exigências do 530d, a suspensão desportiva M, que é só 10mm mais baixa e tem molas e amortecedores específicos, talvez seja uma melhor opção, até para poder então gozar dos prazeres de um bom carro de tração atrás como este.

Trocar equipamento de conforto ou conetividade por um motor bem superior, chegando a um preço final próximo é uma escolha acertada, sobretudo para quem gosta de conduzir.

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